Arquivos de Categoria: Cultura

O Yorubá

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África e Herança Cultural

Boneca de Nó

Congada

O Lundu

Culinária e Comida Africana e Afro-Brasileira

A comida africana reflete as tradições nativas da África, assim como influências árabes, européias e asiáticas. O continente africano é a segunda maior massa de terra do planeta e berço de milhares de tribos, etnias e grupos sociais. Essa diversidade reflete-se na cozinha africana, no uso de ingredientes básicos assim como na preparação e técnicas culinárias.

Elementos tradicionais da comida africana

Há diferenças significativas nas técnicas culinárias e nos hábitos de comer e beber do continente entre as regiões norte, leste, oeste, sul e central. Porém, em quase todas as culturas africanas, a culinária usa uma combinação de frutas disponíveis localmente, grãos, vegetais, leite e carne. Em algumas partes da África, a comida tradicional tem predominância de leite, coalhada e soro de leite. Entretanto, em boa parte da África tropical, o leite de vaca é raro. 

Vegetais na culinária africana

Vegetais ocupam um papel importante na culinária africana, sendo a principal fonte de vitaminas e fazendo parte de vários pratos constituídos de milho, mandioca, inhame e feijão. Esses vegetais também fornecem fonte secundária de proteínas. Em geral, folhas verdes e hastes jovens são coletadas, lavadas, cortadas e preparadas no vapor ou  fervidas em combinação com especiarias e outros vegetais como cebola e tomate. 

A maioria dos vegetais mais importantes na comida africana tem origem fora da África. Milho, feijão, mandioca e abóbora são originários das Américas e foram introduzidos na África pelos europeus no século 16. A maior parte do vegetais verdes africanos são resistentes à seca. A comida africana tradicional provê uma dieta variada geralmente rica em vitaminas e sais minerais, incluindo vitamina A, ferro e cálcio.

Comida afro-brasileira

Por volta do século 16 a alimentação cotidiana na África, que foi incorporada à comida brasileira pelos escravos, incluía arroz, feijão, sorgo, milho e cuscuz. A carne era predominantes de caça (antílopes, gazelas, búfalos e aves). Os alimentos eram preparados assados, tostados ou cozidos. Como tempero utilizava-se pimentas e óleos vegetais como o  azeite-de-dendê. 

A alimentação dos escravos nas propriedades ricas incluía canjica, feijão-preto, toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que conseguisse pescar e caçar; e nas pobres era de farinha, laranja e banana. Os temperos utilizados na comida eram o açafrão, o óleo de dendê e o leite de coco. O cuscuz já era conhecido na África antes da chegada dos portugueses ao Brasil, e tem origem no norte da África, entre os berberes. No Brasil, o cuscuz é consumido doce, feito com leite e leite de coco, a não ser o cuscuz paulista, consumido com ovos cozidos, cebola, alho, cheiro-verde e outros legumes. O leite de coco é usado para regar peixes, mariscos, arroz-de-coco, cuscuz, mungunzá e outras iguarias.

Tecidos artesanais

As populações africanas desenvolveram técnicas artesanais variadas para produzir tecidos. Ainda hoje milhares de artesãos trabalham para uma clientela local ou para atender a demanda criada com o fluxo de turismo. Novos materiais, como fibras sintéticas ou corantes artificiais, foram incorporados recentemente. Algumas técnicas foram simplificadas, como no caso do Kente, fabricado em Gana, Costa do Marfim e Togo. Outras, como as utilizadas para confeccionar os tecidos Kuba produzidos na atual República Democrática do Congo (RDC), continuam muito refinadas.
A maioria dos tecidos representados nas imagens aqui expostas foram confeccionados com a técnica da tecelagem de faixas, difundida há mais de 1000 anos em toda a África do Oeste. Com essa técnica, os tecelões fabricam em pequenos teares peças muito longas e estreitas de tecidos, que são posteriormente unidas pelas laterais para criar panos, tapetes e mantas.  Perfeitamente adaptada à realidade social, econômica e climática da região, a tecelagem de faixas continua sendo utilizada pelas famílias nômades e nas pequenas aldeias, que se beneficiam de um tear fácil de montar e desmontar, e portátil. A prática não demanda grande investimento em fios ou implementos e o clima permite o trabalho ao ar livre ou sob pequenos galpões de palha.
O tecido, após ser confeccionado, pode ser tingido com índigo ou outros pigmentos naturais e sintéticos; estampado, como no caso dos Adinkra; ou bordado, como entre os Wodaabe.
Além da tecelagem de faixas, estão representados aqui como exemplos de tecidos artesanais africanos alguns tipos de trabalho que se utilizam de outras técnicas, como os tecidos de ráfia Kuba, a estamparia de símbolos Adinkra – que pode ser realizada sobre tecidos artesanais ou industriais – e as bandeiras Asafo, um tipo de composição artesanal que utiliza pedaços de tecidos industriais para criar figuras coloridas que são recortadas e aplicadas em um pano que serve como base. A costura é feita de maneira que as figuras sejam vistas dos dois lados.



Bogolan



Adinkra



Asafo



Indigo



Kente



Khasa



Kuba



Wodaabe



Arte negra ou africana

“A grande arte africana encontra-se basicamente nas bacias fluviais do Níger e do Congo” (Andréas Lommel), região habitada por povos agrícolas de origem banto.
Consiste especialmente na escultura dos antepassados e máscaras, que representam os espíritos dos ancestrais.
As primeiras esculturas estudadas são da aldeia Nok, no vale de Benuê (afluente do rio Níger). É aí o centro de irradiação da arte africana.
Os antepassados são, em geral, representados em pé, com ligeira flexão das pernas.
As esculturas de bronze do Benin e Ife são obras-primas da arte negra.
A pintura africana mais famosa é a das montanhas Tassili-n-Ajjer, no Saara Central. Ali foram encontradas e isoladas 20.000 figuras.
Toda essa riqueza de arte africana encontra-se hoje nos museus da Europa.
A raça negra, a mais escravizada do mundo, apesar de arrancada de sua terra, nunca perdeu sua altivez espiritual e conservou sua extraordinária criatividade artística.
Os africanos cantam e dançam em todos os momentos importantes da vida: ao nascer e ao morrer, quando casam, trabalham ou guerreiam e, sobretudo, nas cerimônias religiosas.
Para o negro africano, as máscaras, as esculturas, decorações, músicas e danças são meios de comunicação, de promoção e de identificação da tribo, e ligação com as diversas divindades.
A maior contribuição da arte negra, no Brasil, foi para a música, com instrumentos e ritmos (samba, batuque) e na formação do sincretismo religioso (umbanda, candomblé).

 

Griots

Griot, Griots ou contadores de histórias, vivem hoje em muitos lugares da África ocidental, incluindo Mali, Gâmbia, Guiné, e Senegal, e estão presentes entre os povos Mandê ou Mandingas (Mandinka, Malinké, Bambara, etc.), Fulɓe (Fula), Hausa, Songhai, Tukulóor, Wolof, Serer, Mossi, Dagomba, árabes da Mauritânia e muitos outros pequenos grupos. A palavra poderá derivar da transliteração para o francês “guiriot” da palavra portuguesa “criado”.
Nas línguas africanas, Griots são referidos por uma série de nomes: Jeli nas áreas ao norte de Mandê.

Numa cultura oral como a africana, o griot conserva a memória colectiva. Por isso, é costume dizer-se que «quando na África morre um ancião é uma biblioteca que desaparece». A figura do griot tem uma enorme importância na conservação da palavra, da narração, do mito. Na prática, eles funcionam como escritores sem papel nem pena. Ortografam na oralidade aquilo que deve permanecer embutido na memória e no coração dos seus familiares e conterrâneos, no sentido de manter incrustada a identidade do seu ser e das suas raízes, fundamentada, em grande parte, no seu passado e nos seus predecessores.

Os griots são os guardiães, intérpretes e cantores da História oral de muitos povos africanos. Na língua mandinga são conhecidos como jali e na África Central como mbomvet. Todos eles possuem uma função social bastante semelhante e de grande relevância.

Os griots cantam a história épica da África e os mitos dos diferentes povos, ou elogiam os méritos dos heróis e personagens do passado, geralmente acompanhados por instrumentos musicais, como a kora ou o xilofone.

                                                   Griot wolof do Senegal, 1890

Brasil – Uma alma de realeza e cultura afro- descendente

O costume de se escravizar seres humanos já era antigo, e já existia na África, entre nações africanas inimigas. Os exploradores espanhóis e lusitanos aderiram ao costume, vendo nele um negócio lucrativo para a economia européia durante a colonização.

 Na África, homens e mulheres, crianças, antes livres; guerreiros, artesãos, caçadores, príncipes e reis e soberanos africanos, eram capturados, por ataques planejados, acorrentados e embarcados nos porões dos tumbeiros para o Novo Mundo. Eram trazidos do Sudão, de Serra Leoa, da Guiné, da Costa do Marfim, da Nigéria, do Congo, de Angola, de Moçambique. Eram etnias diferentes, pessoas que falavam línguas diferentes, que tinham costumes diferentes e que adoravam deuses diferentes.

Durante 400 anos, toda a economia do Brasil foi sustentada pelo trabalho escravo. Os maus tratos e a noção de que tais pessoas eram menos do que humanas eram a regra. Todavia, aos poucos, a Alma Africana foi se fundindo com a Alma luso-indígena, tanto em termos culturais, quanto em termos biológicos. Surgiu então uma cultura brejeira e houve um tempo em que a população negra e mulata do Brasil era quase três vezes superior à população mais nitidamente caucasiana. Era a afrodescendência formando a base étnico-cultural do Brasil. O ritmo musical africano, alegre e lúdico, produziu uma infinidade de formas artísticas brasileiras, antes não existentes na África. A culinária sagrada africana, toda ela voltada para os deuses, para os Orixás, entidades dos elementos e forças criadoras-ancestrais, tornou-se profana e se somou à culinária indígena do milho, da mandioca e do peixe, produzindo iguarias gastronômicas inigualáveis.

A influência africana produziu ainda modificações mais acentuadas na língua nativa, criando uma forma de português tupinizado e africanizado peculiar ao Brasil. Todo brasileiro nativo tem, na cor da sua pele, e na sua ginga corporal ou mental, a presença indisfarçável de nossos ancestrais negros. O folclore, as artes, a literatura, a forma poética de falar, a postura física, a morenice, o suingue, a tendência carinhosa e informal de falar empregando diminutivos, tudo isto é o pedaço africano da nossa Alma Brasileira, algo que está totalmente enraizado em nosso corpo etérico, por destino dos Deuses. Nossa alma africana nos ensina, por exemplo, a dignidade e a alegria mesmo diante do sofrimento e do preconceito.

A Tradição Africana

No geral, os povos africanos consideram que o universo, está divido em duas porções: o visível e o invisível. Os seres humanos vivem no nível visível, o deus e os seres espirituais vivem no nível invisível. Há uma ligação entre os dois mundos. O deus e os seres espirituais que fazem sua presença no nível físico; e as pessoas se projetam para o nível espiritual através de deus e os divinizados. A religiosidade africana é muito sensível na questão sobre a dimensão espiritual.
Os seres espirituais explicam o “espaço antológico” entre seres humanos e Deus. Estes podem ser reconhecidos de formas diferentes, de que principais são: os divinizados e espíritos. Os divinizados foram criados por Deus, e alguns são também personificados de fenômenos e de objetos naturais principais tais como montanhas, lagos, rios, terremotos, trovão, etc.. Os espíritos podem ser considerados em duas categorias: divinos celestiais (céu) e do mundo. Os espíritos “divinos” são aqueles associados com os fenômenos e os objetos “divinos” tais como o sol, as estrelas, cometas, chuva e tempestades. E os “da terra” são em parte aqueles associados com os fenômenos e os objetos da terra, e em parte aqueles que são das pessoas após a morte (Egungun). 
Afirmando que toda essa religiosidade é baseada e estruturada na relação entre os seres humanos e a natureza. As plantas, os animais, os fenômenos naturais em geral e são manifestações do sagrado.
Na religião Yorubá, a cosmovisão também no Candomblé, a liturgia e a leitura dos seres humanos na sua singularidade são toda em cima dos fatos e fenômenos naturais. As relações entre os seres humanos e a natureza são indissolúveis e essenciais: “sem folha, não há o culto em si, não há vida, não há nada”.

Portal Orixás

Tecidos Africanos

A arte de tecer em tear manual é uma das mais antigas do mundo.
Na África existem três tipos principais de tecidos: o Bogolan, o Khorogo e o Kubá.
 Em geral os tecidos são confeccionados para marcar ciclos importantes da vida das pessoas ou das aldeias, para vestuário, tapetes e também já serviram de moeda de troca.
Em algumas etnias os homens tecem e as mulheres tingem os tecidos.

Os tecidos Kubás estão entre os mais importantes de todo o território africano.
Os homens tecem a partir da ráfia retirada das palmeiras em pequenos e rudimentares teares. São as mulheres, no entanto, as responsáveis pela decoração dos tecidos.
Os desenhos demonstram a importância e a influência de cada família.



Em anos recentes, os desenhos terrosos ou preto-e-branco dos tecidos Bogolan tornaram-se conhecidos no mundo todo.
Bogolan, que significa tecido de lama, é uma tradição estabelecida há tempos entre os Bambara, etnia majoritária do Mali.
O tingimento tradicional é feito apenas por mulheres e a técnica passada de mãe para filha. A peça é lavada em água e colocada ao sol para secar para que encolha ao seu tamanho final. Depois, o tecido é embebido de uma solução marrom e uma solução amarela extraída da maceração de folhas de várias árvores e posto para secar ao sol. O tecido está pronto para a aplicação dos corantes naturais extraídos da lama. O barro coletado em lagos e poças é deixado para fermentar por alguns meses em um pote coberto, adquirindo ao final de um ano a cor negra.


Os tecidos Khorogo, originalmente da cidade de Khorogo, no norte da Costa do Marfim, hoje são encontrados em vários lugares da Costa do Marfim. Representam cenas da vida cotidiana das aldeias africanas ou cenas da mitologia Akan. São tecidos de algodão tingido com argila e pigmentos naturais (extraídos de folhas, frutos e cascas de árvore).
 Assim como nos tecidos Bogolan, os homens tecem tiras estreitas em tear pequeno e depois costuram-nas juntas para alcançar a largura desejada. Depois dividem com as mulheres a tarefa de tingi-los. Há basicamente quatro cores reconhecidas pelas tecelãs: preto, cinza, vermelho e branco. Porém outras tonalidades podem ser obtidas através da mistura dessas quatro cores.




Diversidade Colorida – Blog

Trajes Africanos

As roupas africanas vão muito além da beleza. Os padrões impressos nos tecidos correspondem a nomes, provérbios ou idéias. Elas estão relacionadas com a beleza, a religiosidade e a identidade do povo negro, com a ancestralidade africana. As roupas não nascem para proteger o corpo, mas como uma forma de beleza, não só para aparecer ao outro, mas para os deuses.
Ao vestir um determinado pano, envia-se uma mensagem silenciosa a todos os que vêem, mas, na maioria das vezes, a alguém especial.
 Os riscados, desenhos e cores expressam relações entre marido e mulher, entre a mulher e as outras mulheres, entre cada um e a comunidade.
As cores vibrantes das indumentárias são obtidas a partir de elementos da natureza, a exemplo de plantas, terra e flores. Cada cor tem um significado.

O verde indica renovação e crescimento, em clara analogia com as matas e florestas. Amarelo é símbolo do status e serenidade, além da fertilidade e vitalidade. Azul é a presença de Deus, a onipotência do céu, ao espírito   puro  que repousa em harmonia.

O preto denota união com os antepassados. É a cor das provas, do sofrimento, do mistério, da consciência espiritual, do tempo e da existência.

Vermelho é a cor da paixão, da determinação política, da vida, da paixão e do sentimento.

As casas dos Ndebeles

Pintura Mural
Os Ndebele é uma das menores tribos da África do Sul, o termo Ndebele se refere a um grupo étnico disperso entre o Zimbábue e a província de Transvaal a nordeste de Pretória. Ao contrário de muitas outras tribos da África do Sul, conseguiram preservar as suas tradições ancestrais ao longo dos séculos. São chamados de “povo artista” por fazerem colares e ornamentos coloridíssimos de miçangas.

Apesar de ser uma sociedade patriarcal, a herança artística é passada de mães para filhas, são transmitidos os padrões tradicionais dos Ndebele. No século XIX esta tradição alargou-se dos têxteis às pinturas murais decorativas que são também executadas apenas pelas mulheres Ndebele.

As pinturas das casas deste povo, sejam redondas (parecendo ocas) ou quadradas, sempre com teto de palha, expressam-se através das cores gráficas e dos desenhos geométricos coloridíssimos. Os utensílios e adornos que as mulheres usam, possuem significado religioso e místico.



Portal Educação do Paraná

Arte Africana: A Estética Ndebele

A arte africana é um reflexo fiel das ricas histórias, mitos, crenças e filosofia dos habitantes deste enorme continente. A riqueza desta arte tem fornecido matéria-prima e inspiração para vários movimentos artísticos contemporâneos da América e da Europa. Artistas do século XX admiraram a importância da abstração e do naturalismo na arte africana. A história da arte africana remonta o período pré-histórico. As formas artísticas mais antigas são as pinturas e gravações em pedra de Tassili e Ennedi, na região do Saara (6000 AC ao século I da nossa era). Os povos africanos faziam seus objetos de arte utilizando diversos elementos da natureza. Faziam esculturas de marfim, máscaras entalhadas em madeira e ornamentos em ouro e bronze. Os temas retratados nas obras de arte remetem ao cotidiano, a religião e aos aspectos naturais da região. Desta forma, esculpiam e pintavam mitos, animais da floresta, cenas das tradições, personagens do cotidiano etc.

A arte do povo Ndbele


Os Ndebele é uma das menores tribos da África do Sul, O termo Ndebele se refere a um grupo étnico disperso entre o Zimbábue e a província de Transvaal a nordeste de Pretória . Mas intensa o suficiente para revelar uma das manifestações artísticas de maior destaque de todo o continente, são conhecidos pela beleza e colorido das suas criações artísticas: as suas casas, roupas e acessórios de cores gráficas e formas geométricas, a sua joalharia é caracterizada por um rico e minucioso trabalho com contas.




Onde está a África no Brasil?

O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África e, por isso, as culturas desse continente exercem grande influência, principalmente na região nordeste do Brasil. Hoje, a cultura afrobrasileira é resultado também das influências dos portugueses e indígenas, que se manifestam na música, religião e culinária
Música
A principal influência da música africana no Brasil é, sem dúvidas, o samba. O estilo hoje é o cartão-postal musical do país e está envolvido na maioria das ações culturais da atualidade. Gerou também diversos sub-gêneros e dita o ritmo da maior festa popular brasileira, o Carnaval.
Mas os tambores de África trouxeram também outros cantos e danças. Além do samba, a influência negra na cultura musical brasileira vai do Maracatu à Congada, Cavalhada e Moçambique. Sons e ritmos que percorrem e conquistam o Brasil de ponta a ponta.
Capoeira
Inicialmente desenvolvida para ser uma defesa, a capoeira era ensinada aos negros cativos por escravos que eram capturados e voltavam aos engenhos. Os movimentos de luta foram adaptados às cantorias africanas e ficaram mais parecidos com uma dança, permitindo assim que treinassem nos engenhos sem levantar suspeitas dos capatazes.
Durante décadas, a capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da prática aconteceu apenas na década de 1930, quando uma variação (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente Getúlio Vargas, em 1953, pelo Mestre Bimba. O presidente adorou e a chamou de “único esporte verdadeiramente nacional”.
Religião
A África é o continente com mais religiões diferentes de todo o mundo. Ainda hoje são descobertos novos cultos e rituais sendo praticados pelas tribos mais afastadas. Na época da escravidão, os negros trazidos da África eram batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. Porém, a conversão não tinha efeito prático e as religiões de origem africana continuaram a ser praticadas secretamente em espaços afastados nas florestas e quilombos.
As religiões afrobrasileiras constituem um fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil. O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, se originou no Nordeste. Nasceu na Bahia e tem sido sinônimo de tradições religiosas afrobrasileiras em geral. Com raízes africanas, a Umbanda também se popularizou entre os brasileiros. Agrupando práticas de vários credos, entre eles o catolicismo, a Umbanda originou-se no Rio de Janeiro, no início do século 20.
Culinária
Outra grande contribuição da cultura africana se mostra à mesa. Pratos como o vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, sarapatel, baba de moça, cocada, bala de coco e muitos outros exemplos são iguarias da cozinha brasileira e admirados em todo o mundo.
Mas nenhuma receita se iguala em popularidade à feijoada. Originada das senzalas, era feita das sobras de carnes que os senhores de engenhos não comiam. Enquanto as partes mais nobres iam para a mesa dos seus donos, aos escravos restavam as orelhas, pés e outras partes dos porcos, que misturadas com feijão preto e cozidas em um grande caldeirão, deram origem a um dos pratos mais saborosos e degustados da culinária nacional. 
Cultura afro-brasileira: Portal Brasil

Cultura afro-brasileira

Denomina-se cultura afro-brasileira o conjunto de manifestações culturais do Brasil que sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até a atualidade. A cultura da África chegou ao Brasil, em sua maior parte, trazida pelos escravos negros na época do tráfico transatlântico de escravos. No Brasil a cultura africana sofreu também a influência das culturas europeia (principalmente portuguesa) e indígena, de forma que características de origem africana na cultura brasileira encontram-se em geral mescladas a outras referências culturais.
Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a música popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste.
Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.

Desconhecimento cria a idéia de uma "só África"

Iorubás, haussás, bornos, baribas. Para quem ouve pela primeira vez, essas palavras podem soar estranhas e sem importância mas, desde o século XVII, elas estão estritamente ligadas à história do Brasil e, de algum modo, contribuíram fortemente para moldar o país como o conhecemos atualmente. Se, para a maioria dos brasileiros, essas palavras não fazem parte do vocabulário, na África elas são sinônimos de diferenças: cada uma delas designa um povo com língua e costumes diferentes. Povos que, durante o período de escravidão, deixaram forçosamente o continente africano para fincar raízes em solo brasileiro.
Com a escravização, milhares de negros das mais variadas culturas acabaram se misturando e tiveram de passar a conviver juntos, criando laços de comunicação e de socialização.

O fato é que milhares de negros vindos de várias partes da África aportaram em terras brasileiras – principalmente na Bahia e o maior número desses escravos pertencia a grupos do tronco lingüístico banto da África Centro-Ocidental, que inclui as regiões do Congo, Angola e Moçambique. “No interior de cada uma dessas grandes regiões contam-se dezenas de grupos étnicos que vieram para o Brasil no período colonial e imperial, até o fim do tráfico, em 1850”.
Mas, não foi somente no Brasil que diferentes povos tiveram de conviver. Por causa do processo de colonização do continente africano, que teve início no século XIX, grupos étnicos diferentes tiveram de viver no mesmo país, contribuindo para uma enorme diversidade cultural em cada Estado africano.

Falta de conhecimento

Se tanto no Brasil como em cada Estado africano há tamanha diferença cultural, porque muitos vêem a cultura africana como homogênea e têm a visão de uma só África? Parte dessa visão equivocada é decorrente do próprio sistema educacional brasileiro, que não inclui estudos sobre a África e os escravos que vieram para o Brasil.

As diferentes culturas africanas não apenas influenciaram, mas foram  parte integrante daquilo que hoje definimos como cultura brasileira. “Os escravos foram ‘os pés e as mãos’ não só dos senhores, mas do Brasil. Do ponto de vista da cultura, deixaram a marca por toda a parte porque a escravidão existia por toda parte. É difícil encontrar um setor da cultura em que a mão e o pensamento africano não tenham tocado”.
Somos herdeiros das várias culturas africanas. Nesse sentido, se destaca a importância de estar consciente disso. “O Brasil não vai se conhecer enquanto não estudar as culturas africanas e não as tratar com respeito.”

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Imagens de Máscaras Africanas

Arte da África

A arte africana representa os usos e costumes das tribos africanas. O objeto de arte é funcional e expressam muita sensibilidade. Nas pinturas, assim como nas esculturas, a presença da figura humana identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos. A escultura foi uma forma de arte muito utilizada pelos artistas africanos usando-se o ouro,bronze e marfim como matéria prima. Representando um disfarce para a incorporação dos espíritos e a possibilidade de adquirir forças mágicas, as máscaras têm um significado místico e importante na arte africana sendo usadas nos rituais e funerais . As máscaras são confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. Para estabelecer a purificação e a ligação com a entidade sagrada, são modeladas em segredo na selva.Visitando os museus da Europa Ocidental é possível conhecer o maior acervo da arte antiga africana no mundo.

As Máscaras Africanas

A função dos rituais nas sociedades
Os rituais são elementos fundamentais da cultura humana. Aparecem em absolutamente todas as sociedades da terra. Em algumas, seus integrantes, por vezes, não se dão conta de sua participação nos rituais (como a nossa sociedade ocidental). Em outras, todos os atos diários e cotidianos estão ligados aos aspectos religiosos e ritualísticos.
Os rituais são caracterizados por um conjunto de procedimentos práticos cuja função é marcar determinado acontecimento ou materializar o sagrado. Podem estar também ligados à evocação de eventos mitológicos por meio de uma liturgia. Aos condutores dos ritos normalmente lhes são atribuídos poder e prestígio.

O uso das máscaras

A utilização de máscaras em cerimoniais é prática comum há milhares de anos. As máscaras são de fundamental importância nos rituais, sejam de iniciação, de passagem, ou de evocação de entidades espirituais. As máscaras apresentam-se, também, como elementos de afirmação étnica, expondo características particulares de cada grupo. Assim, existe uma enorme diversidade de formas, modelos, técnicas de confecção e aplicações.

Normalmente, a máscara é apenas um dos elementos utilizados nas cerimônias e rituais, havendo a combinação com outras manifestações, como dança, música e instrumentos musicais. Aparece ainda o uso de máscaras associado a objetos de cunho animatista, como amuletos. As máscaras são empregadas, basicamente, em eventos sociais e religiosos.

Na África, o artífice, antes de começar a esculpir uma máscara, passa por um processo de purificação, com reza aos espíritos ancestrais e às forças divinas. Tal prática faria com que a força divina fosse transferida para a máscara durante o processo de manufatura.

Por Rodrigo Aguiar
(Caminhos Ancestrais)