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20 de novembro – Consciência Negra

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Consciência Negra – 20 de novembro

História do Dia Nacional da Consciência Negra


Esta data foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.
A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Importância da Data


A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. 
A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão. 
Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados heróis nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.

Origem da palavra Quilombo

Herança africana

Formação do povo brasileiro

Formação do povo brasileiro
Ao falar da formação do povo brasileiro, é necessário primeiramente considerar que essa é uma história de longa duração e com muitos personagens. Como bem sabemos, o povo brasileiro é marcado pela questão da diversidade. Uma diversidade de cores, fisionomias, tradições e costumes que atestam a riqueza da população que ocupa todo esse território.
Sendo assim, vamos observar rapidamente alguns desses mesmos personagens.
Ao longo da Pré-História, o processo de ocupação do continente americano possibilitou a organização de várias comunidades no interior e na região litorânea. Entre essas culturas mais antigas, podemos destacar a presença da antiga civilização marajoara, ao norte do Brasil, e os chamados povos sambaquis, que se espalharam por diferentes regiões do litoral sudeste e sul.
Avançando no tempo, destacamos a formação das várias comunidades indígenas que se espalharam em pontos distintos do território brasileiro. Não sendo povos homogêneos, mas marcados pela pluralidade, os indígenas se diferem em várias línguas e práticas que, portanto, já faziam parte da população do nosso território. Até o século XVI, eles foram os principais ocupantes desse vasto conjunto de terras e paisagens.
Tudo isso viria a se transformar no ano de 1500, com a chegada dos europeus por aqui. Motivados pelo contexto da economia mercantilista e o desenvolvimento das grandes navegações, os portugueses ocuparam o Brasil com a intenção de realizar a colonização das terras e, consequentemente, explorar as riquezas existentes. Sob o signo da dominação e da adaptação, os lusitanos trouxeram para cá as particularidades de sua cultura de origem e da Europa Cristã.
Ao longo das idades moderna e contemporânea, notamos a chegada de outros povos de origem europeia. Espanhóis, franceses, alemães e holandeses apareceram por aqui buscando disputar as terras que estavam sendo dominadas pelos portugueses. No século XIX, a expansão da economia cafeeira no Brasil e as crises políticas na Europa incentivaram a chegada de vários camponeses e trabalhadores dispostos a ocupar postos de trabalho tanto no campo, quanto nos centros urbanos da época. Em tempos mais recentes, temos de modo semelhante a chegada dos asiáticos.
Muito antes que essa diáspora dos europeus, uma outra diáspora – violenta e injusta – atingiu vários povos de origem africana. Trazidos pelos portugueses, desde o século XVI, vários povos africanos vieram para o Brasil a fim de trabalhar como escravos. Vitimados pela exploração de sua força de trabalho, sofreram com um processo de dominação que também afetou as populações indígenas do território. Ainda assim, deixaram evidentes marcas de sua presença na identidade histórica e cultural do povo brasileiro.
Entre todas essas chegadas, conflitos, desigualdades, acordos e contatos é que enxergamos a complexidade do povo brasileiro. Em um território tão extenso, vemos que a unidade de nossa população não passa de um desejo impossível. Contudo, isso fez com que o povo brasileiro fosse admirado por possuir uma variedade encontrada em poucos lugares desse mundo. Hoje, nosso maior desafio é mediar todas essas diferenças tendo o respeito e a tolerância como norteadores de uma vida de maior justiça e felicidade.

Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Escola Kids
Graduado em História pela Universidade Federal de Goiás – UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás – UFG

O primeiro Homem é da África!

Fonte:Vivendo a Diversidade, Cultura Afro-brasileira
           Editora FAPI

História da chegada dos africanos ao Brasil

Museu Afrobrasileiro

Regiões na História africana

A História Africana apresenta uma possibilidade de divisão para estudo em 6 grandes regiões que guardam em comum além dos aspectos geográficos, aspectos históricos e culturais. São unidades com características semelhantes, embora também abrangendo diversidade interna da região quanto aos povos e culturas, mas, quando comparadas ao conjunto africano apresentam distinções nítidas.
1ª Região
A região de história mais antiga e mais conhecida é a das civilizações do Rio Nilo, onde se destacam o Sudão e o Egito, ambos com história política e econômica com mais de 5000 anos e constituindo impérios semelhantes. Um exemplo das semelhanças é a construção de pirâmides que Vão do Alto ao Baixo Nilo, em períodos diversos com diferentes magnitudes, representando uma forma cultural típica de região. Nesta região o Egito é bem mais conhecido, sendo que os Núbios, um dos povos do Sudão, tem apresentado surpresas esplendorosas aos arqueólogos nos últimos tempos. Destacam-se nesta região os Impérios de Kerma, Kushes, Napata e Meroes. Fixados em regiões próximas tem importância históricas os Reinos da Etiópia.
2ª Região
A costa Africana do Oceano Índico constitui uma região de grande influência comercial, de trocas intensas com os países árabes e com a Ásia. Esta região se notabiliza por um conjunto de pequenos Reinos e Cidades Estados que foram de grande esplendor arquitetônico e, devido a existência de uma língua comercial comum, o Suarile, podemos denominar de Região Suarile.
3ª Região
A terceira região importante no Continente Africano é constituída pelo Conjunto Zimbarbue e África do Sul. Embora diferente da região Suarile litorânea é uma zona de intenso contato com o litoral. Zimbabue, devido a importância e antigüidade das ruínas e da extensão da civilização aí construída no passado, constitui pôr si só uma região de importância na história africana. Na mesma região do Zimbabue entre 1400 e 1800 surge o Reino do Monomotapa. Na África do Suiapenas, reinos relativamente recentes têm destaques históricos, sobretudo pelo processo de resistência às invasões européias, como é o caso dos Zulus.
4ª Região
O quarto conjunto está ao Sul do Rio Congo, numa extensa região entre o Atlântico e os lagos Vitória e Tanganica. De influência cultural Bantu se desenvolveu entre os séculos 14 e 15 um conjunto de Reinos onde se destacam o Congo, Lunda e Luba.
5ª Região
As civilizações africanas de grande riqueza econômica e cultural formam um conjunto que geograficamente se estendem do Atlântico atravessando o sistema fluvial do Rio Níger e cobrindo os afluentes do lago Chade. Esta quinta região do Vale do Niger, assim como a do Vale do Nilo, constituem as regiões de maior importância histórica no continente devido aos longos períodos de continuidade histórica e a quantidade de conhecimentos que se tem sobre elas. Fazem parte da história da região as civilizações Nok, os Impérios de Gana, Malé e Songai.
6ª Região
A sexta região é de predominância de povos Berberes e se estende através do Deserto de Saara e bordas do Mediterrâneo. É, sobretudo, uma região marcada por invasões externas.
Profº Henrique Cunha Jr.

África Índica

Há muitos anos os portugueses ouviam a respeito de uma história de um reino cristão que ficava ao leste da África chamado de Preste João. Dizia-se que neste reino havia 13 cruzes gigantes, de puro ouro, cobertas de jóias e guardadas por 10 mil soldados armados, além de luxo e riqueza por toda cidade.
Quando os portugueses foram atrás da lenda encontraram o Reino da Etiópia. Voltada ao Oceano Índico, a Etiópia é uma região montanhosa, e torna-se a primeira região cristã da África. A diferença do Reino etíope, foi que os portugueses encontraram bastante resistência em seus negócios com a região, primeiro por causa de conflitos entre reinos internos, segundo pela concorrência inglesa. É criada na região a Companhia Exploradora da Índia Oriental, para transportas marfim, âmbar e escravos.

África Atlântica

Durante anos, os povos da Europa e do Oriente, conheceram apenas o norte e parte do leste africano. O Oceano Atlântico era lugar perigoso e proibido, tinham medo dos monstros marinhos e de cair da borda do mundo. Na realidade, as águas do Mediterrâneo eram bem mais fáceis de navegar que o turbulento Atlântico.
Os portugueses saíram pelo Atlântico para vencer seu isolamento do Mediterrâneo e em busca de  riquezas, logo encontraram ricas culturas, valentes guerreiros e grandes civilizações.
A  África Atlântica fica entre a alta Guiné ao norte e Angola ao sul.
A  Alta Guiné também recebe o nome de Senegâmbia e a população se organizava em reinos. Os reis eram escolhidos entre os príncipes das famílias mais importantes. Abaixo do rei vinham os Chefes Guerreiros, chamados de “grandes homens”. Nos reinos viviam os homens livres, que eram comerciantes e demais trabalhadores que passavam sua função às gerações futuras. Um importante cidadão era o Griot, este ensinava aos mais jovens a História e Cultura de seus ancestrais. Por fim vinham os escravos (sim, os africanos escravizavam uns aos outros!).
Ao sul da Senegâmbia ficava a chamada Costa do Ouro. As grandes minas de ouro, por anos, sustentaram os reis da região, mas a escravidão e o comércio de marfim, aumentaram o poder do local. Dividiu-se então a região em 3 áreas: Costa do Ouro, Costa dos Escravos e Costa do Marfim. A região ficou tão importante que o exercito  usava escudos e espadas revestidos de ouro.
Lugar de busca de escravos era o porto de Benin. Benin era maior que muitas cidades européias e o palácio do rei de tão grande parecia não ter fim pelas vistas dos visitantes.
Mas, nada impressionou mais os portugueses, do que os reinos de Congo e Angola. As Histórias que vinham da África davam conta de seres monstruosos e de povos bastante atrasados. Quando os portugueses chegaram à África, viram um continente bem diferente.
O Rei do Congo era chamado de Ntotila e vivia na capital Mbanza. O Ntotila dominava as tribos a sua volta e fazia negócios com os portugueses.

Ao sul do Congo ficava o poderoso reino de Ndongo, ou como ficou conhecido, Angola. O reino angolano não aceitava as ordens vindas de Portugal, entrando em conflito, foi aí que a Europa conheceu a poderosa Rainha Jinga. Jinga, ou NZinga, era tão poderosa que mandava todos lhe chamarem de rei, pois segundo ela, somente o rei é quem manda e ela nunca teria marido para lhe mandar. Jinga era valente e fazia a todos temerem seu exército. Ela possuía um harém cheio de homens, a quem chamavam de esposas.

Os europeus apenas conseguiam comercio com a África porque negociavam bastante, nunca pela famosa (e falsa) “superioridade”.

África do Mediterrâneo

    O Mar Mediterrâneo fica entre a Europa, a África e a Ásia ocidental. Nele fazia-se comércio, trocava-se arte, cultura e boa parte da História do homem surgem ali. Por ser calmo e “pequeno” era a principal rota dos navios daqueles povos. O Mediterrâneo é de importância fundamental aos povos orientais e ocidentais.
A África liga-se ao Mediterrâneo pelo norte e esta região participa de acontecimentos fundamentais na história humana. Uma das grandes civilizações que surge na região é o Egito Antigo. O Egito nasce ao longo do truculento Rio Nilo e desenvolvem grandes obras e verdadeiras inovações médicas e técnicas. E, ao contrário do que aparece em filmes, os egípcios também tinham a pele escura.
    Outra grande civilização é a Núbia. Na capital da Núbia, Kerma, havia grandes minas de ouro e o comércio de marfim.
    Importantes reinos são os de Gana e Mali. Impossível falar da África mediterrânica sem falarmos do Islamismo. O Islamismo, ou religião muçulmana, nasce a cerca da 500 anos D.C., criada pelo árabe Maomé, no Oriente Médio. Desde que surgiu, a religião cresceu violentamente, conquistando várias regiões ao norte da África. Os muçulmanos deixaram vários registros sobre os povos que ali existiam. Um reino descrito por eles era o Reino de Gana. Gana ia do Atlântico ao Rio Niger e era chamado de “Terra do Ouro”. Reino rico e poderoso possuía um rei, cercado de uma poderosa nobreza, além de vários funcionários, comerciantes e demais moradores.
    O Reino de Gana foi destruído e substituído pelo Reino de Mali. Diziam que o Rei de Mali era tão poderoso que possuía cerca de 10 mil cavalos em seus estábulos. Segundo registros, quando o rei de Mali fez sua peregrinação à Meca – terra santa dos muçulmanos – todos pararam para observar tanto luxo e poderio.

África e alguns mitos

O ensino de História sempre privilegiou as civilizações que viveram em torno do Mar Mediterrâneo. O Egito estava entre elas, mas raramente é relacionado à África, tanto que, junto com outros países do norte do continente, pertence à chamada África Branca, termo que despreza os povos negros que ali viveram antes das invasões dos persas, gregos e romanos.
A pequisadora Cileine de Lourenço, professora da Bryant University, de Rhoad Island, nos Estados Unidos, atribui ao pensamento dos colonizadores boa parte da origem do preconceito: “Eles precisavam justificar o tráfico das pessoas e a escravidão nas colônias e para isso ‘animalizaram’ os negros”. Ela conta que, no século 16, alguns zoológicos europeus exibiam negros e indígenas em jaulas, colocando na mesma baia indivíduos de grupos inimigos, para que brigassem diante do público. Além disso, a Igreja na época considerava civilizado somente quem era cristão.
Uma das balelas sobre a escravidão é a idéia de que o processo teria sido fácil pela condição de escravos em que muitos africanos viviam em seus reinos. Essa é uma invenção que não passa de bode expiatório: a servidão lá acontecia após conquistas internas ou por dívidas — como em outras civilizações. Mas as pessoas não eram afastadas de sua terra ou da família nem perdiam a identidade. Muitas vezes os escravos passavam a fazer parte da família do senhor ou retomavam a liberdade quando a obrigação era quitada com trabalho. Outra mentira é que seriam povos acomodados: os negros escravizados que para cá vieram revoltaram-se contra a chibata, não aceitavam as regras do trabalho nas plantações, fugiam e organizavam quilombos.

África – os limites da imaginação

Aprender história é um exercício por vezes difícil, onde contracenam o real e o imaginário.

Precisa-se da imaginação que transcenda os fatos e reproduza a complexidade das atividades humanas como um filme explicativo, questionador, repleto de conceitos, propósitos e dúvidas. Sobretudo porque a dúvida é o elemento principal na composição do filme da história. A dúvida e não a descrença. Mas trabalhos de ensino de História Africana aparecem inicialmente como uma sistemática descrença nas possibilidades civilizatórias. Acompanhando a descrença um bloqueio à imaginação.

O principal problema encontrado no processo de ensino e aprendizado da História Africana não é relativo à história e à sua complexidade, mas é com relação aos preconceitos adquiridos num processo de informação desinformada sobre a África. Estas informações de caráter racistas, produtoras de um imaginário pobre e preconceituoso, brutalmente erradas, extremamente alienantes e fortemente restritivas. Seu efeito é tão forte que as pessoas quando colocadas em frente a uma nova informação sobre a África tem dificuldade em articular novos raciocínios sobre a história deste continente, sobretudo de imaginar diferente do raciocínio habitual.

A imagem do Africano na nossa sociedade é a do selvagem acorrentado à miséria. Imagem construída pela insistência e persistência das representações africanas como a terra dos macacos, dos leões, dos homens nus e dos escravos.

Quanto aos povos asiáticos e europeus as platéias imaginam, castelos, guerreiros e contextos históricos diversos. Quanto à História Africana só imaginam selva, selva, selva, deserto, deserto e tribos selvagens perdidas nas selvas.

Há um bloqueio sistemático em pensar diferente das caricaturas presentes no imaginário social brasileiro.

As informações novas geram uma constante desconfiança, tendo ocorrido mais de uma vez a pergunta, se eram sobre a África aquelas informações. Quando se desenvolvem tópicos sobre a indústria têxtil africana e as exportações de tecido para a Europa no passado, ou mesmo a informação de que a África precedeu a Europa no uso de roupas, há uma inquietação, um conflito emocional onde a dúvida é persistente.

O elemento básico para Introdução à História Africana não está na história africana e sim na desconstrução e eliminação de alguns elementos básicos das ideologias racistas brasileiras.

O cotidiano brasileiro é povoado de símbolos de negros selvagens e escravos amarrados, que processam e administram o escravismo mental e realizam a tarefa de feitores invisíveis a chicotear a menor rebeldia o imaginar diferente.

Acredito serem cinco os pontos importantes a serem desconstruídos na imaginação dos brasileiros sobre a África.

 
    1.A África não é uma selva tropical.
    2.A África não é mais distante que os outros continentes.
    3.As populações Africanas não são isoladas e perdidas na selva.
    4.O europeu não chegou um dia na África trazendo civilização.
    5.A África tem história e também tinha escrita.

Existem outros tópicos, apenas estou citando os cincos mais persistentes, os outros vão no sentido de “burrice do africano”. O africano é tido sempre como o diferente com relação aos povos de outros continentes. Os iguais são os europeus e os asiáticos. Diferente no sentido não da diversidade humana, mas de uma hierarquia de valores, onde, uns são certos e os outros errados. Os iguais são certos e os diferentes errados, estes são os conteúdos das idéias que estão no subconsciente que instrui os raciocínios. Nos cursos seguidamente aparecem frase tais como: “o que destrói a África é que eles brigam muito entre si”. “Eles não são unidos como os europeus”. Ou então surge a pergunta “de onde vem o negro”, com ênfase numa possível origem biológica diferente do branco quanto às possibilidades intelectuais.
Artigo do Profº Henrique Cunha Jr.

Cronologia – História Africana

A CRONOLOGIA DA HISTÓRIA AFRICANA PODE TER A SEGUINTE COMPOSIÇÃO:

1 – Aparecimento do Homo Sapiens na África – 10.000 AC
2 – Agricultura e criação no Vale do Nilo – 5.000 AC
3 – Os Faraós unificam o Estado Egípcio – 3.100 AC
4 – O Estado Kerma governa a Antiga Núbia no Sudão 2.250 AC
5 – As dinastias Egípcias colonizam o Núbia – 1.570 AC
6 – Os Estados Kushes e Napatos se estabelecem no Sudão – 1.100 a 500 AC
7 – Fenícios fundaram a Capital em Cartago – 814 AC
8 – Os Estados Kushes da Núbia governam o Egito – 760 AC
9 – A tecnologia do Ferro é introduzido no Egito pelos invasores Assírios – 500 AC
10 – Reinos Núbios – 400 AC
11 – Civilização Nok na África Ocidental – 450 AC
12 – Os Gregos invadem o Egito – 332 AC
13 – Os Romanos invadem o Egito 40 – AC
14 – Início do esplendor dos Reinos Axum na África Oriental – 0
15 – Expansão Islâmica no Norte Africano – 639
16 – Data aproximada da construção do Zimbabue – 700
17 – Ocupação de Gana pelos Almoravides – 1.076
18 – Fundação do Império Monomotapa na África Austral. – 1.200
19 – Início do Império do Mali – 1.235
20 – Fundação do Reino do Congo – 1.240
21 – Início do Império Songai – 1.400
22 – Os Portugueses vencem os Mouros e tomam Ceuta no Norte Africano – 1.415
23 – Fundação do Reino Luba na região do Rio Congo – 1.420
24 – A presença constante de mercantes portugueses no Rio Senegal – 1.445
25 – Estabelecimento do tratado comercial entre Reinos da África Ocidental e os Portugueses – 1.456
26 – Tratado de Alcáçovas entre Espanhóis e Portugueses que permitem aos Portugueses a introdução de escravizados Africanos na Espanha – 1.475.
27 – Chegada dos Portugueses ao Congo – 1.484
28 – Conversão do Rei do Congo ao Catolicismo – 1.491
(o Catolicismo já havia penetrado na Etiópia 400 anos antes)
29 – Destruição do Império Songai – 1.591
30 – Portugueses invadem Angola transformando o Reino em Colônia – 1.575.
31 – O Reino do Congo é dominado pelos Portugueses – 1.630
32 – Chegada dos Ingleses como invasores e colonizadores na África do Sul – 1.795.
33 – Início das Campanhas Militares de Chaka-Zulu – 1.808
34 – Consolidação do Domínio Europeu na África – 1.884-1.885.

Henrique Cunha Júnior – professor da Universidade Federal do Ceará

Bem vindos a África!

A nossa história, a minha, a sua, a de qualquer pessoa nesse planeta começa de uma forma ou de outra pela África.

Foi lá que a humanidade teve suas origens, com os primeiros hominídeos no Chad: o australopitecus africanus no Quênia. Depois, ela seria constituída ainda pelos “homus” afarensis, habilis e ergaster, até chegarmos ao nosso “tataravô”: o homo sapiens, na Etiópia.
Isso mesmo! Você é, lá atrás, bem lá atrás, descendente de etíopes…
Foi então que vieram as primeiras populações, como os Khoisan, os Bantos e os Gizas, no Egito. Entre eles surgiram os primeiros indícios de manejo de metal, a matemática e a música (flauta e xilofone), originando assim as primeiras civilizações.
Foi entre esses povos, inclusive, que a humanidade começou a prevalecer e a evoluir sobre as condições ambientais. Algumas teorias sustentam que os povos que habitavam a região do Sahel foram se adaptando ao intenso sol e ao calor, tornando sua pela mais escura e ligeiramente grossa. Foi essa divisão que possivelmente distinguiu a população negra daqueles que posteriormente vieram a ocupar o oriente-médio; e, por conseqüência, os demais continentes.

Temporalidade

A História da África é bastante rica e cheia de pontos que nos levam a entender melhor a nossa cultura brasileira. Mas muitos tratam de forma preconceituosa a História africana, dizendo que são povos atrasados, fracos e preguiçosos. Na África tinha civilizações que eram tão grandiosas quanto qualquer civilização européia, com seus castelos, reis, cidades. Os guerreiros africanos assustavam os europeus e não permitiram a conquista da áfrica, pelo contrário, os europeus é que seguiam as ordens nos comércios africanos.

Na busca de especiarias, metais preciosos e demais riquezas, os europeus iniciam um lucrativo e duradouro comércio que mudaria a História africana: o comércio de escravos.
Os europeus não adentravam no continente caçando escravos, os africanos já possuíam este comércio e apenas o estendeu aos europeus. Para se comprar escravos era necessário procurar uma fortaleza portuária e trocar por armas ou qualquer produto de necessidade dos povos.

As guerras que os reinos travavam pelo comércio de escravos levaram o continente a se enfraquecer cada vez mais até no século XIX.

A  África tornou-se alvo da cobiça imperialista européia, lá se buscava mão de obra barata e matéria prima também a baixo preço para as empresas Monopolistas que cresciam assustadoramente pelo mundo.

Fonte: A cultura negra em sala de aula – http://www.sicribd.com/

África – Celeiro da Realeza, Aventuras e Conquistas

Rei de Songhay (1464 – 1492)

Quando
Sunni Ali Ber chegou ao poder, Songhay era um pequeno reino no Sudão ocidental. Mas durante seu reinado de vinte e oito anos, esse reino se transformou no maior e mais poderoso império da África Ocidental. Sunni Ali Ber organizou um exército notável e com esta força feroz, o rei guerreiro ganhou várias batalhas. Ele derrotou os nômades, aumentou as rotas de comércio, conquistou aldeias, e ampliou seu domínio. Ele capturou Timbuktu, trazendo para o império de Songhay um centro mais amplo de cultura de comércio, e bolsa de estudos muçulmano.

fonte: África-Brasil um elo de herança ancestral

África – Linha do Tempo

Cerca de 20000 a.C.
O objeto matemático mais antigo é o bastão de Ishango, osso com registros de dois sistemas de numeração. Ele foi encontrado no Congo em 1950 e é 18 mil anos mais antigo do que a matemática grega .
3000 a.C.
O médico negro Imhotep é o verdadeiro pai da medicina: ele viveu 25 séculos antes de Hipócrates e já aplicava no Egito conhecimentos de fisiologia, anatomia e drogas curativas em seus pacientes .
2000 a.C.
O povo haya (da região da atual Tanzânia) produzia aço a 400 graus Celsius — temperatura superior a dos fornos europeus do século 19. Uma faca datada de 900 a.C., feita no Egito, é o objeto de ferro mais antigo .
1650 a.C.
O papiro de Rhind indica que os egípcios sabiam o valor da constante geométrica pi muito antes de Arquimedes (250 a.C.) e as propriedades do triângulo retângulo antes de Pitágoras (séc. 6 a.C.).
Século 12
Muros de pedra de 10 metros de altura foram erguidos na região do Zimbábue. As ruínas revelam saberes avançados também dos povos subsaarianos em construção civil.
1879
O médico inglês R. W. Felkin aprendeu com os banyoro técnicas da cesariana. O procedimento já envolvia assepsia, anestesia e cauterização do corte, que era vertical.

África o berço da Humanidade

A mais marcante das singularidades africanas é o fato de seus povos autóctones terem sido os progenitores de todas as populações humanas do planeta, o que faz do continente africano o berço único da espécie humana.

Os dados científicos que corroboram tanto as análises do DNA mitocondrial quanto os achados paleoantropológicos apontam constantemente nesse sentido.
O continente africano, palco exclusivo dos processos interligados de hominização e de sapienização, é o único lugar do mundo onde se encontram, em perfeita seqüência geológica, e acompanhados pelas indústrias líticas ou metalúrgicas correspondentes, todos os indícios da evolução da nossa espécie a partir dos primeiros ancestrais hominídeos. A humanidade, antiga e moderna, desenvolveu-se primeiro na África e logo, progressivamente e por levas sucessivas, foi povoando o planeta inteiro
Pela tradição, eurocêntrica e hegemônica, costuma alinhar o fato histórico com a aparição, recente, da expressão escrita, criando os infelizes conceitos de povos “com história” e de povos “sem história” que, eventualmente, o etnólogo Lucien LEVY-BRUHL iria transformar em “povos lógicos” e “povos pré-lógicos”. Mas a história propriamente dita é a interação consciente entre a humanidade e a natureza, por uma parte, e dos seres humanos entre si, por outra. Por conseguinte, a aparição da humanidade como espécie diferenciada no reino animal, abre o período histórico. O termo “pré-história”, tão abusivamente utilizado pelos especialistas das disciplinas humanas, é uma dessas criações que doravante deverá ser utilizada com maior circunspeção. (TVeBrasil)
Segundo Elisa Larkin Nascimento: A espécie humana nos livros didáticos é geralmente representada com a imagem do homem branco, e as teorias pseudocientíficas de hierarquia entre as “raças” destituíram o africano de sua condição humana tratando-os como “selvagens” ou “primitivos”, classificados como seres subumanos ou irremediavelmente inferiores.
Contudo hoje sabemos que a África é o berço da humanidade e do desenvolvimento civilizatório. Aquela idéia da velha divisão da humanidade em diferentes “raças” carece de fundamento biológico. É uma construção histórica, cultural e social.
Hoje sabemos que há quase dois milhões de anos, o Homo erectus, hominídeo autor de importantes avanços na manufatura de implementos como o machado, saiu da África em ondas migratórias rumo à Ásia e à Europa, assim iniciando o povoamento do mundo.

Portal Orixás

Grandes personalidades negras brasileiras

O Brasil, país com a segunda maior população negra do mundo ( 75 milhões de negros e pardos), em geral, ostenta, nos livros didáticos, as imagens e trajetórias de notáveis homens da elite branca.
Segundo estes livros, a construção da nacionalidade e da identidade nacional passaram fundamentalmente pelas mãos de descendentes de europeus, que, em terras tropicais, construíram uma nova civilização.
A história, no entanto, não é bem assim. O Brasil teve e tem grandes nomes negros que deram contribuição fundamental para o desenvolvimento da nação em diversos campos de estudos e ramos profissionais.
Em geral, eles, devido ao exemplo impar, não são apontados como negros, como homens sem cor. No entanto, são afro-descendentes, que guardam, no mais intimo de suas personalidades, ligações com o mundo de seus antepassados.
Na verdade, são homens e mulheres negros que se destacaram, num esforço familiar ou individual, para se tornarem cidadãos bem-sucedidos ou de especial destaque em suas áreas. Com isso, conquistaram a admiração dos demais brasileiros e tornaram-se exemplos para a sua e para as novas gerações.
Foram ou são políticos, escritores, médicos, engenheiros, advogados, músicos, cientistas, religiosos, jornalistas, atletas, militantes ou artistas negros e mestiços que passaram pelas tradicionais barreiras à ascensão social e conseguiram se firmar na sociedade brasileira.
Existe hoje, no Brasil, uma classe média negra, estimada em 8 milhões de pessoas – que também quer ser representada e ter acesso a informações qualificadas sobre negros importantes da história brasileira.
Pensando numa galeria de tipos humanos afros diferenciados, o jornalista e professor Carlos Nobre, da PUC-Rio, propôs ao editor Ary Roitman, da Editora Garamond, do Rio de Janeiro, a edição de uma coleção com a biografia de 25 grandes trajetórias de afro-descendentes que se notabilizaram na vida pública brasileira.
Os três primeiros livros da Coleção Personalidades Negras: ” Machado de Assis”, de Dau Bastos, ” Pelé”, de Angélica Basthi, e ” Aleijadinho”, de Maria Alzira Brum Lemos.
Os 22 futuros biografados sairão de uma relação de 40 nomes selecionados pela editora e pelo professor Carlos Nobre, autor do projeto.

Origem da palavra África

África! O que vem a significar esta palavrinha de 6 letras que na
classificação da língua portuguesa é uma palavra tônica por possuir um
acento que se pronuncia com mais intensidade.
É de extrema importância ressaltar antes de tudo que, o nome do nosso
continente não foge à regra, pois a maioria dos nomes de países que hoje
constituem o continente negro, embora oriundos de palavras genuinamente
locais, surgiu/surgiram dos primeiros contactos dos colonizadores com as
populações autóctones.
A palavra África deriva de AVRINGA ou AFRI, nome da tribo Berbere que na
antiguidade habitava o Norte do continente.
Os berberes são descendentes dos antigos Númidas que habitavam a região
chamada Numídia, entre o país de Cartago e actual Mauritânia, conquistada
pelos romanos ao rei Jugurta, cuja capital era a cidade de Cirta, hoje
Constantina, na Argélia.
O nome África começou a ser usado pelos romanos a partir da conquista da
cidade de Cartago para designar províncias a Noroeste do Mar Mediterrâneo
africano, onde hoje  situam-se a Tunísia e a Argélia.
No século XVI, com a necessidade dos Europeus de avançarem para o
interior e para o sul do continente negro, o nome África generalizou-se para
todo o continente que passou a  chamar-se de “África”.
A palavra África significa também: façanha, proeza, valentia, algo difícil
de se realizar. Este segundo e pseudo significado, embora recheado de um
certo preconceito de um lado, de outro dignifica-nos como africanos, pois
mostra a nítida resistência à penetração estrangeira no interior do nosso
continente e  traduz a realidade verdadeira da época. Foi dado pelos
Europeus expedicionários, principalmente os portugueses, como consequência
das enormes dificuldades que  tiveram em penetrar no interior do continente.
José Carlos Cocamaro

Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO