Arquivos de Categoria: Igualdade Racial

Diferenças Física e Preconceito

Diferenças Física e Preconceito

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O trabalho sobre diversidade na minha escola

Sinopse

SALTO REPORTAGEM – A DIVERSIDADE NA ESCOLA
Escola paulista realiza um trabalho voltado para as questões étnico-raciais. Professores desenvolvem estratégias para mostrar aos alunos a influência africana na formação da cultura brasileira.

Racismo – para pensar

Refletindo sobre diferenças físicas

21 de março – Dia internacional contra a discriminação racial

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” (Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU Art. 1.)
A Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do Massacre de Shaperville. Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Isso aconteceu na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.
O dia 21 de março marca ainda outras conquistas da população negra no mundo: a independência da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos os países africanos.
Vale destacar três personalidades (dentre outras) que dedicaram suas vidas à luta pelos direitos civis e pelo fim da discriminação racial:
Martin Luther King – Malcolm X ou El-Hajj Malik El-Shabazz – Nelson Mandela
Atento às estatísticas que sempre apresentam uma realidade desfavorável para negros na colocação no mercado de trabalho, o governo federal vem desenvolvendo um trabalho de conscientização da população para o problema da discriminação racial no emprego e na profissão. Uma das ações foi a criação do Programa de Combate à Discriminação no Trabalho e na Profissão, desenvolvido pelo Ministério do Trabalho em 1995. No ano seguinte, contou com a parceria da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça.
Fonte: Disponível em: http:// www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/marco/dia-internacional-da-discriminacao.php acessado em: 08/mar/2011

Por que somos diferentes?

Igualdades e Diferenças

A África está em nós – História e cultura afro-brasileira
Editora Grafset

O que caracteriza um negro?

Identidade Negra

Campanha- Por uma infância sem racismo!

Por uma infância sem racismo

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apresentou ao público presente no evento a campanha nacional sobre o impacto do racismo na infância, lançada em 2010. A iniciativa tem o slogan “Por uma infância sem racismo”. Para o UNICEF, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

A campanha tem como objetivo mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância. Para o Unicef, o combate ao racismo implica valorizar as diferenças, promovendo a igualdade de tratamento e oportunidades para cada menina e menino no Brasil, o que ainda representa um grande desafio para o País.

Assim, busca-se contribuir com o debate nacional sobre direitos da infância e adolescência, envolvendo cada segmento da sociedade no esforço do combate ao racismo a partir do reconhecimento de sua existência.

10 maneiras de participar da campanha

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer.

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente.

Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar.  Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

África mais perto

Historia da cultura afro nas escolas representa reflexão sobre questão racial.

Sheila Mazzolenis

“Oxalá, deus da criação, encarregado pela divindade suprema Olorum de fabricar a terra e o mar deste Brasil preto, criou nestas terras uma árvore cujas raízes atravessavam o oceano e chegavam até a África.”

Assim, a autora e ilustradora de livros infanto-juvenis Denise Rochael inicia Brasil em Preto e Branco (Cortez Editora, 2005), revestindo de poesia o começo da difícil relação entre os habitantes do Brasil colônia e os escravos capturados no continente africano. Marcada historicamente pela escravidão e pela exclusão social, essa relação resultou em uma população atual de 184 milhões de pessoas – 45% dos quais são negros – e atinge hoje, 117 anos após a abolição da escravatura, condições menos desiguais. E isto se deve a três fatores: a luta da comunidade afro-brasileira para resgatar o orgulho e a dignidade raciais; a compreensão e o apoio dado por alguns setores da sociedade a essa luta; e a militância informal, discreta, de muitos cidadãos brasileiros – este é o caso da mineira Denise Rochael, branca, que afirma: “a condição do negro se mistura com a do miserável e eu me sinto tocada por isso e pelo fato de que poucos reconhecem que somos todos negros no Brasil. Sofro muito com isso e foi a partir desse sofrimento, e da paixão que sinto pela cultura negra, que escrevi Brasil em Preto e Branco.”

No plano social e educacional, uma das medidas mais promissoras e significativas dessa conjunção de forças é a Resolução 10.639/03, que altera a Lei de Diretrizes e Base (9.394/96) e determina a introdução da história da cultura afro-brasileira e africana no currículo do ensino fundamental e médio, público e privado, especialmente nas áreas de Educação Artística, Literatura e História – o que significa, também, incluir a questão racial como objeto de reflexão.

Reivindicação antiga dos movimentos nacionais de consciência negra na busca por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, a Resolução 10.639 representa uma oportunidade única de resgatar a contribuição do povo negro na formação e consolidação da sociedade nacional, mas coloca um grande desafio para os educadores brasileiros: superar rapidamente o desconhecimento e a pouca familiaridade com essa temática, bem como, em alguns casos, o preconceito mal disfarçado que continua a existir em amplas camadas da sociedade.

A esse respeito, o Parecer CNE/CP 003/2004 – sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino da História da Cultura Afro-brasileira e Africana – aponta a necessidade de uma mudança “nos discursos, raciocínios, lógicas, gestos, posturas, modo de tratar as pessoas negras […] buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira; mito este que difunde a crença de que, se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros é por falta de competência ou de interesse, desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros”. O mesmo Parecer ressalta, ainda, a importância de se questionar “as relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos, palavras e atitudes que, velada ou explicitamente violentas, expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros, próprios de uma sociedade hierárquica e desigual.”

Invisibilidade do Racismo

A INVISIBILIDADE DO RACISMO (Lázaro Ramos -embaixador do Unicef no Brasil)
Confira o post escrito pelo ator e embaixador do UNICEF, Lázaro Ramos, para o blog  Por uma infância sem racismo. Lázaro participa da campanha e é protagonista dos filmes da iniciativa.
“Estou muito feliz e orgulhoso por participar dessa campanha do UNICEF que demonstra claramente o impacto do racismo na infância. É importante chamar atenção de toda a sociedade para um problema invisível para muitos, mas muito real para quem sente, de verdade, na própria pele os efeitos dele.
Crescemos numa sociedade na qual virou lugar comum dizer que o brasileiro não é racista, posto que é um povo multicolor, fraterno e cordial; e que os problemas são de ordem social e financeira apenas. Entretanto, essa campanha inovadora do UNICEF traz luz aos indicadores oficiais que não nos deixam dúvidas. O racismo é real! Existe dolorosamente para milhares de meninos e meninas indígenas e negros.
Esse racismo não se revela apenas no constrangimento imposto, muitas vezes de forma dissimulada, às nossas crianças.  Ele se mostra num aspecto ainda muito mais cruel,  que é o de violar e impedir que as crianças e os adolescentes realizem os seus direitos de viver, aprender, crescer e se desenvolver plenamente.
Parabéns, UNICEF, pela coragem e pela iniciativa. Essa atitude me deixa ainda mais orgulhoso, pois, se eu já tinha orgulho de ser embaixador do UNICEF, agora tenho mais ainda com a coragem e com o compromisso de vocês, e de todos os parceiros envolvidos, de fazer uma campanha como essa.
Espero realmente que a nossa sociedade possa, definitivamente, “enxergar igualdades num mundo de diferenças”, para fazermos agora um mundo melhor para cada uma das nossas crianças e adolescentes.”
*Fonte:

Retirado do blog http://afrocorporeidade.blogspot.com/

21 de março – Dia internacional pela eliminação da discriminação racial

Dia 21 de março celebra-se o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi instituída em 1969, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em homenagem aos homens, mulheres e crianças que, nessa data, no ano de 1960, foram massacrados pela polícia da África do Sul, quando realizavam um protesto pacífico. Aquelas pessoas protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava negros e negras a andarem com cartões de identificação que estabeleciam locais nos quais podiam ou não passar e/ou frequentar. O resultado da brutal repressão foi o triste saldo de 69 mortos e 186 feridos entre homens, mulheres e crianças.
Este é um dia para reflexão e ação. Racismo é uma chaga social e deve ser estirpado. Acreditar que alguém é superior a outro por sua origem, cor de pele ou orientação cultural é pensar como os colonizadores pensavam e pensar preconceituosamente.
A riqueza humana advém da diversidade de raças, credos, crenças, culturas e valores, somos humanos, somos tão diferentes e tão iguais. É isto que nos torna únicos e de valor inestimável.
Diga não ao Racismo, diga não à Discriminação Racial!!!

A boneca étnica negra e parda

O papel da boneca étnica, negra e parda, é de grande importância para a valorização da auto-estima e do reconhecimento da identidade afro-brasileira das crianças, tanto na família e na sociedade quanto na escola. A criança negra ou parda deve ter “a sua boneca” como seu espelho, onde se reflete sua anatomia e suas características étnicas. Ela também deve ter bonecas de etnias diferentes da sua para aprender a amar e a conviver com as diferenças. Através da identificação étnica com a boneca, a criança pode fortalecer sua identidade, aprender a valorizar a si e aos seus semelhantes e reconhecer, para toda a vida, suas raízes, livre de preconceitos ou estereótipos. Para os educadores, a boneca étnica também é um importante instrumento de vivência em sala de aula. As várias etnias reunidas no brincar pedagógico em sala de aula têm o poder de promover a interação social, a tolerância e o respeito pelas diferenças. Crianças que, no brincar livre, têm a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade social tornam-se adultos mais preparados para a vida em sociedade.

O Legado Científico e Tecnológico dos Afro-brasileiros

O rigor imposto pela escravidão no Brasil não foi o suficiente para destruir uma cultura milenar, como é o caso da cultura africana, que no Brasil foi reelaborada com o objetivo de continuar orientando os seus descendentes.
 A ciência e a tecnologia desenvolvidas pelos africanos, enquanto formas de expressão de sua cultura, foram muito abaladas com o processo escravocrata, uma vez que todo um continente foi desestruturado para saciar a ganância dos colonizadores europeus e, nesse sentido, não foram poupadas as crianças, os jovens, nem os adultos – bases importantes para o fluxo do conhecimento; o desenvolvimento de novas ideias e a manutenção de um sistema educacional que propiciasse um maior desenvolvimento social para os povos africanos e da Diáspora.
Ao chegar no Brasil, os africanos foram inseridos como seres sem passado e tiveram a sua condição humana negada. Considerando o aspecto emocional no desempenho cognitivo, o que dizer das condições dadas aos africanos e afro-descendentes para produzir conhecimento no contexto da sociedade escravocrata brasileira?
Mais uma vez, o “determinismo histórico” não se confirmou e em meio à sociedade escravocrata e pós-abolicionista emergem personagens afro-brasileiros que deram contribuições importantíssimas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil. Os engenheiros André Rebouças e Teodoro Sampaio e o Médico Juliano Moreira representam bem a superação desses afro-brasileiros.
Ao apresentarmos o histórico das conquistas tecnológicas e científicas dos povos e indivíduos africanos e afro-brasileiros esperamos que esses exemplos estimulem os profissionais de educação a utilizar as referências históricas da população africana e da diáspora para encorajar os estudantes negros e negras e não negros a terem orgulho das contribuições do negro para a construção do nosso país, transcendendo a tradicional referência aos elementos culturais (culinária, dança, música e linguagem) as quais, apesar da importância, não foram as únicas expressões da capacidade intelectual dos povos africanos que foram trazidos para este país; se estabeleceram e deram também sustentação técnica e econômica à sociedade Brasileira.
fonte: África-Brasil um elo de herança ancestral

Preconceito Racial

Estamos agora em pleno século XXI e com mapeamento do nosso código genético decifrado. A ciência nos provou que na verdade não há raças na espécie humana, mas apenas pequenas variações genéticas para que o homem possa se adaptar melhor no meio em que vive. Não é mais pertinente o preconceito racial, já que raças não existem. 
O preconceito racial atualmente é questionado, visto que a ciência ao decifrar nosso código genético comprovou que as diferenças no DNA entre brancos e negros são efêmeras e praticamente inexistentes. Partindo desse pressuposto, já seria uma ignorância tentar distinguir raças e o pior caracterizá-las e discriminá-las. Portanto, não existe a raça negra, branca, amarela nem vermelha.
Em um país miscigenado como o nosso, temos que entender melhor a explicação da ciência: todos nós temos a mesma essência física nos diferenciamos apenas em questões tênues e inconcebíveis para que haja qualquer discriminação.
Combater o preconceito racial não é uma questão simplória. É preciso que a nossa História seja contada sem trauma nem rancor. O passado de preconceitos não se pode refletir em um futuro de discriminações, mágoas e dívidas a pagar.

Orgulho negro.com

O livro didático e o preconceito

O livro didático não é um instrumento moderno, alguns estudos mostram que em meados do século XVII já havia uma preocupação em se adotar livros apropriados para transmissão de conhecimentos. O fato é que, no Brasil, a história do livro didático está ligada a uma série de decretos.
O livro didático deveria, conforme Rangel (2001, p.13), “contribuir efetivamente para a consecução dos objetivos do ensino de língua materna, tais como vêm definidos em documentos oficiais, como os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, assim é necessário que ele abstenha–se de preconceitos discriminatórios e, mais do que isso, seja capaz de combater a discriminação sempre que oportuno”, isto é, estimular a cidadania, produzir efeitos contra qualquer forma de preconceitos e discriminações no contexto escolar ou fora dele.
No entanto, de acordo com Silva (1995, p. 47), “O livro didático, de modo geral, omite o processo histórico–cultural, o cotidiano e as experiências dos segmentos subalternos da sociedade, como o índio, o negro, a mulher, entre outros. Em relação ao segmento negro, sua quase total ausência nos livros e a sua rara presença de forma estereotipada concorrem em grande parte para a fragmentação da sua identidade e auto estima”, isto significa que é possível constatar formas de discriminação ao negro, além da presença de estereótipos, que correspondem a uma espécie de rótulo utilizado para qualificar de maneira conveniente grupos étnicos, raciais ou, até mesmo, sexos diferentes, estimulando preconceitos, produzindo assim influências negativas, baixa auto-estima às pessoas pertencentes ao grupo do qual foram associadas tais “características distorcidas”. 
É revoltante e absurdo que o livro didático seja transmissor de imagens que incutem valores negativos de determinados grupos étnicos, segundo as palavras de Freitag (1997 p.85): “a ausência de temas do aluno carente, do conflito de classes, da discriminação racial, quanto à presença de estereótipos” demonstra que é necessária a inclusão de temas referentes ao preconceito e às diversas formas de injustiça social. Assim, pode–se perceber que a estrutura do livro didático precisa ser modificada, para melhor atender a prática educacional e combater qualquer tipo de discriminação.
Revista Espaço Acadêmico nº 47

O preconceito na escola

A escola é responsável pelo processo de socialização infantil no qual se estabelecem relações com crianças de diferentes núcleos familiares. Esse contato diversificado poderá fazer da escola o primeiro espaço de vivência das tensões raciais. A relação estabelecida entre crianças brancas e negras numa sala de aula pode acontecer de modo tenso, ou seja, segregando, excluindo, possibilitando que a criança negra adote em alguns momentos uma postura introvertida, por medo de ser rejeitada ou ridicularizada pelo seu grupo social. O discurso do opressor pode ser incorporado por algumas crianças de modo maciço, passando então a se reconhecer dentro dele: “feia, preta, fedorenta, cabelo duro”, iniciando o processo de desvalorização de seus atributos individuais, que interferem na construção da sua identidade de criança.
A exclusão simbólica, que poderá ser manifestada pelo discurso do outro, parece tomar forma a partir da observação do cotidiano escolar. Este poderá ser uma via de disseminação do preconceito por meio da linguagem, na qual estão contidos termos pejorativos que em geral desvalorizam a imagem do negro.
O cotidiano escolar pode demonstrar a (re) apresentação de imagens caricatas de crianças negras em cartazes ou textos didáticos, assim como os métodos e currículos aplicados, que parecem em parte atender ao padrão dominante, já que neles percebemos a falta de visibilidade e reconhecimento dos conteúdos que envolvem a questão negra.
Essas mensagens ideológicas tomam uma dimensão mais agravante ao pensarmos em quem são seus receptores. São crianças em processo de desenvolvimento emocional, cognitivo e social, que podem incorporar mais facilmente as mensagens com conteúdos discriminatórios que permeiam as relações sociais, aos quais passam a atender os interesses da ideologia dominante, que objetiva consolidar a suposta inferioridade de determinados grupos. Dessa forma, compreendemos que a escola tanto pode ser um espaço de disseminação quanto um meio eficaz de prevenção e diminuição do preconceito.
Para Vigotsky (1984), o psiquismo humano existe por uma apropriação dos modos e códigos sociais. Com a internalização, a criança vai tornando sua o que é compartilhado pela cultura; o discurso social passa a ter um sentido individual. Mas os referenciais externos dos negros são dilacerantes. A mensagem transmitida é que, para o negro existir, ele tem de ser branco, ou seja, para se afirmar como pessoa precisa negar o seu corpo e sua cultura, enfim, sua etnicidade. O resultado dessa penalização é o desvirtuamento da identidade individual e coletiva, havendo um silenciamento do preconceito por parte da criança e do cidadão ao longo da vida.
Nesse sentido, a escola poderá “silenciar” as crianças negras, intensificando o sentimento de coisificação ou invisibilidade, que pode gerar uma angústia paralisante, de modo que seus talentos e habilidades se tornem comprometidos por não acreditarem nas suas potencialidades, ambicionando pouco nas suas atividades ocupacionais futuras. Mais adiante, essa experiência leva a criança a se questionar sobre o que é preciso para ser olhada, reconhecida. Nesse momento, poderá dar início ao processo de embranquecimento e auto-exclusão de suas características individuais e étnicas. Tais conseqüências na identidade infantil passaram a ser preocupação e foco de estudo de alguns teóricos.
Waléria Menezes

A etnia brasileira

Falar em etnia brasileira é uma forma de simplificação, pois o Brasil foi historicamente constituído a partir da fusão de muitas etnias. Mas o que é uma etnia? Em primeiro lugar, o conceito de etnia é diferente do conceito raça. Enquanto o que caracteriza a etnia são fatores culturais, como tradição, língua e identidade, o que distingue raça são fatores biológicos como a cor da pele, o formato da cabeça, o tipo de cabelo etc.. Assim, os membros de uma etnia compartilham de valores culturais próprios e se comunicam por meio de uma língua que é também própria. As pessoas que constituem essa população se identificam, e são reconhecidas pelos outros como membros da etnia.
Faz parte de nosso jargão histórico dizer que o Brasil foi formado por três raças, omitindo muitas vezes o fato de ser ele um país pluriétnico. Esta multiplicidade étnica já existia muito antes da chegada de Cabral. As populações indígenas, de origem asiática, eram constituídas de centenas de etnias o que significava uma enorme diversidade linguística e cultural.
Por outro lado, todo o mundo sabe que as populações de origem africana que vieram para o Brasil pertenciam a inúmeras etnias portadoras de costumes, crenças e idiomas diferentes que muito contribuíram para a formação da cultura brasileira No entanto, hoje, é muito difícil de falar em uma etnia afro, tendo em vista que o intenso processo de aculturação praticamente extinguiu as línguas de origem africana, embora muitas de suas palavras incorporaram-se ao idioma nacional e também fez desaparecer as identidades étnicas originais.
Finalmente, a população branca também não é originária de uma mesma etnia. Os primeiros colonizadores vieram de Portugal, mas a partir da segunda metade do século XIX o País foi palco de um grande processo imigratório, sendo que muitos dos imigrantes europeus que aqui chegaram se identificavam muito mais por meio de suas identidades étnicas do que nacionais.
Esta grande diversidade étnica que constituiu o País, longe de ser um problema, resultou em uma riqueza cultural que se expressa por intermédio das artes – da música principalmente, da culinária, das crenças, do próprio modo de ser dos brasileiros. O mais importante fator de unidade nacional foi a língua, este português falado no Brasil, diferente do de Portugal porque foi constituído pela adição de palavras originárias das muitas etnias que formam o País.  
ROQUE DE BARROS LARAIA Antropólogo / Universidade de Brasília -UnB

Difereça Racial

   A escola tem um papel central no processo de reeducação das relações étnico-raciais, e, portanto, precisa assumir seu papel transformador, pautando sistematicamente questões conflituosas e inegavelmente de difícil abordagem, promovendo junto à sua comunidade escolar o caminho do diálogo e do debate aberto e plural.
  O projeto político-pedagógico deve ser o ponto de encontro e o pólo irradiador da implementação da lei no âmbito da escola. É importante lembrar que todos os profissionais da educação devem se sentir apropriados deste projeto coletivo, incluindo os demais funcionários das escolas que tendem a ser deixados de lado em tais processos.
    É importante reeducar quem educa para que a temática seja inserida de modo efetivo no cotidiano escolar e nos sistemas de ensino, propiciando melhorias na convivência e na trajetória escolar de estudantes brancos, negros, amarelos e indígenas. Além disso, é importante que as questões étnico-raciais sejam abordadas não apenas da perspectiva de ampliar o conhecimento dos participantes, mas também de uma perspectiva mais subjetiva, abordando valores e posturas.
      A tarefa é necessária e complexa. No entanto, a complexidade há de ser acolhida a fim de se repensar as unidades escolares em seus projetos político-pedagógicos, considerando os referenciais da temática étnico-racial, contemplando a história e a cultura afro-brasileiras e articulando os eixos:  currículo, valores, relações e materiais didáticos.

Referência:Relações Raciais na Escola.org.br